Lula recalibra estratégia no Congresso após derrotas e mira projetos viáveis
Governo prioriza PEC de Segurança Pública e ampliação do MEI, enquanto adia votações polêmicas para depois de 2026
Após uma sequência de reveses legislativos, o governo Lula ajusta o tiro no Congresso. A estratégia agora é focar em projetos com maior viabilidade de aprovação — como a PEC da Segurança Pública — enquanto adia temas mais sensíveis, como a escala 6x1, para o período pós-eleitoral. O movimento reflet
O cenário é claro: depois de sofrer com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF e outras derrotas legislativas, o Palácio do Planalto mudou de postura. Em vez de insistir em uma agenda abrangente, o governo passou a priorizar projetos com maiores chances de êxito — movimento que ganhou contornos mais definidos após a reunião entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no começo de agosto, primeiro encontro dos dois desde o desgaste do caso Messias.
A PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) é emblemática dessa recalibração. Já aprovada pela Câmara e aguardando análise do Senado, o governo a considera estratégica não apenas para seu legado de segurança, mas também como ferramenta para o debate eleitoral de 2026. É um projeto que soma: tem respaldo popular, legitimidade setorial e menores riscos de rejeição frontal. Na economia, o executivo também quer destravar o PLP 108/2021, que amplia o faturamento do MEI — igualmente menos inflamável que outras propostas.
O grande trunfo dessa estratégia é o adiamento da votação sobre a escala 6x1. Tanto Lula quanto Alcolumbre sinalizaram interesse em deixar esse tema para depois das eleições de 2026, reconhecendo que é uma pauta que divide até dentro da própria base governista. Guilherme Boulos, na Secretaria-Geral, quer acelerar a votação, mas a lógica prevalecente no Planalto é clara: por que se queimar em uma derrota previsível agora, quando é possível adiar o custo político?
O cálculo eleitoral está escancarado aqui. O Poder360 avalia dois cenários: se Lula vencer em 2026, a aprovação de projetos pendentes fica mais fácil no Senado; se perder, a oposição já sinalizou que pode bloquear iniciativas governistas. Isso transforma o calendário legislativo em um termômetro de poder — ou de sua expectativa — para os próximos dois anos.
O problema é que nem todos dentro do governo embarcam nessa lógica de paciência. Lindbergh Farias (PT-RJ) e outras vozes da bancada petista defendem que projetos progressistas avancem ainda este ano, temendo que a oposição ganhe força. É a tensão clássica: entre a pragmática de quem governa e a pressão de quem quer resultados visíveis antes do voto. Por enquanto, o Planalto está vencendo essa disputa interna, mas o entendimento sobre o calendário ainda está em construção.
Com informações do Poder360.