O Congresso volta do recesso com o relógio eleitoral mandando na pauta
Governo pressiona votações, mas semestre eleitoral esvazia plenários e adia projetos críticos
O Congresso volta do recesso sem previsão de sessões plenárias para esta semana. Com as eleições gerais de outubro no horizonte, a Casa legislativa enfrenta um cenário típico de ano eleitoral: agenda congestionada, poucos votos e pressão do Palácio do Planalto para aprovar projetos antes da campanha
O Congresso reabriu as portas no início do mês sem uma única sessão de plenário marcada — e isso, num ano em que quase todo mundo ali dentro tem eleição para disputar, diz mais sobre o calendário do que sobre preguiça. Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta acertaram que o trabalho legislativo do semestre cabe em duas semanas de esforço concentrado: a primeira de 10 a 14 de agosto, a segunda de 31 de agosto a 3 de setembro. Fora dessas dez sessões, a expectativa é de plenário vazio até outubro.
A fila do governo é conhecida. A PEC da Segurança Pública já passou pela Câmara e aguarda deliberação no Senado — o presidente Lula tem cobrado Alcolumbre publicamente para pautá-la. Também esperam vez o projeto de regulação da exploração de minerais críticos, aprovado pelos deputados, e os projetos orçamentários de 2027. Há ainda 87 vetos presidenciais trancando a pauta do Legislativo, e a PEC que acaba com a escala 6x1 segue sem data para ir à Comissão de Constituição e Justiça.
Quem acompanha Brasília há algum tempo sabe o que costuma acontecer com projeto que entra em agosto de ano eleitoral sem consenso fechado: ele não morre, hiberna. A diferença, desta vez, é que o próprio governo escolheu como vitrine de campanha dois temas — segurança pública e jornada de trabalho — que dependem justamente do plenário que não vai se reunir. É uma conta que alguém terá de fechar depois de outubro.
Fontes: Sul21 · Imirante · Rondônia Dinâmica.