Paraná · 1 de outubro de 2026
Curitiba 18°C Londrina 21°C Maringá 21°C Cascavel 18°C Foz do Iguaçu 20°C
Voz Conectada
Voltar
BR Política ·
Coluna de Opinião

Oito anos de voltas e reviravoltas: a trajetória caótica das bets no Brasil

De aprovação em 2018 a bloqueio em 2024, setor de apostas online vira prisioneiro de decisões políticas contraditórias

Otávio Bittencourt ·2 min
Oito anos de voltas e reviravoltas: a trajetória caótica das bets no Brasil
Foto: tribunadosertao.com.br

As apostas online no Brasil são um espelho da inconsistência política nacional. Aprovadas em 2018 sob Temer, ignoradas por Bolsonaro, regulamentadas por Lula em 2023 e bloqueadas pelo mesmo governo em 2024 — tudo em oito anos. O que mudou não foi o setor; foram os cálculos políticos.

A cronologia é reveladora. Em 2018, o Congresso aprovou as bets sob o governo Temer com um prazo claro: dois anos para regulamentação, prorrogáveis por mais dois. Era um sinal verde para o mercado. O governo Bolsonaro (2019-2022) simplesmente ignorou o compromisso — nada aconteceu durante quatro anos. O setor cresceu na sombra, sem regras, acumulando críticas sobre endividamento de consumidores e falta de proteção ao apostador.

Lula chegou ao poder e fez o dever de casa: em 2023, encaminhou projeto que regulamentou não só as apostas esportivas, mas também os cassinos online. O Congresso votou, o Senado ajustou, a Câmara confirmou. Em dezembro, a Lei 14.790 foi sancionada. Parecia solução. Parecia estável. Não era.

O que a fonte revela sobre a votação é especialmente interessante: a base governista votou contra a rejeição dos cassinos, ou seja, a favor deles. Hoje, esse mesmo bloco político apoia a proibição. Não houve mudança de realidade; houve mudança de conveniência política. Pressão de evangélicos, preocupação com endividamento, cálculo eleitoral — as razões importam menos que o padrão: o governo muda de posição e leva o Congresso junto.

O bloqueio de 2024 é a culminação dessa incoerência. Uma Medida Provisória fechou depósitos, sites foram bloqueados em 5 de outubro, e o governo promete criminalizar operadores. Isso não é regulamentação corrigida; é uma reversão completa. Os usuários que depositaram dinheiro legalmente — dentro de um marco regulatório oficial — agora têm acesso restrito. As empresas que se licenciaram conforme a lei agora enfrentam proibição criminal.

O impacto é duplo. Economicamente, há destruição de valor: setor que movimentava bilhões simplesmente desaparece. Juridicamente, há insegurança: se uma lei sancionada em 2023 pode ser desfeita em 2024 por medida provisória, que empresa vai confiar em marco regulatório brasileiro? Politicamente, o recado é claro — não há consistência, há apenas maiorias do momento.

Com informações de www.tribunadosertao.com.br (fonte no link).

Relacionados

Ver no Instagram · @vozconectada1