ONS aciona pela primeira vez plano emergencial para frear sobra de energia no país
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela primeira vez na história, um plano de emergência para reduzir a geração de eletricidade no Brasil. A medida valeu para o domingo, 7 de junho, diante da previsão de que a oferta de energia fosse muito maior do que o consumo — um paradoxo: o país produz tanta energia limpa que precisa, em certos momentos, desligar parte dela para não desequilibrar o sistema.
O acionamento foi comunicado no sábado (6) e colocado em prática no domingo (7), um dia de baixa demanda por causa do feriado e das temperaturas amenas em boa parte do país. Com menos gente usando ar-condicionado e indústrias paradas, o consumo cai, mas as usinas solares continuam despejando energia na rede sob o sol forte do meio-dia.

A regra que permite esse corte foi aprovada pela Aneel em novembro de 2025 e nunca havia sido usada. Chamada de Plano Emergencial de Gestão de Excedentes, ela autoriza o ONS a reduzir a geração quando há risco de a sobra de eletricidade provocar instabilidade e até desligamentos automáticos na rede.
O alvo principal são as pequenas usinas solares e os microgeradores ligados às distribuidoras, que não têm a conexão controlada diretamente pelo operador. Doze distribuidoras de diferentes estados ficaram responsáveis por administrar esses cortes. Boa parte da produção de grandes parques eólicos e solares também entrou na conta da redução.
O episódio escancara um gargalo estrutural: a geração de energia limpa, sobretudo a solar em telhados, cresceu muito mais rápido do que a capacidade do país de armazenar e escoar esse excedente. Em momentos de baixo consumo, os painéis solares já chegaram a cobrir cerca de 40% da demanda nacional, levando o sistema perto do limite de segurança.
O Paraná está entre os estados cujas distribuidoras foram acionadas para administrar o corte, o que mostra como o avanço da geração solar distribuída já é forte no estado. O tema é sensível para quem investiu em painéis em casa, em propriedades rurais e na indústria. A discussão sobre armazenamento em baterias e novas linhas de transmissão tende a ganhar peso no Paraná, que combina forte geração hidrelétrica, como Itaipu, com a expansão acelerada da energia solar nos telhados.
Com informações de O Tempo (com dados do ONS) — 6 de junho de 2026.