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ONS aciona pela primeira vez plano emergencial para frear sobra de energia no país

Redação Voz Conectada ·4 min
ONS aciona pela primeira vez plano emergencial para frear sobra de energia no país
Marta Victoria / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela primeira vez na história, um plano de emergência para reduzir a geração de eletricidade no Brasil. A medida valeu para o domingo, 7 de junho, diante da previsão de que a oferta de energia fosse muito maior do que o consumo — um paradoxo: o país produz tanta energia limpa que precisa, em certos momentos, desligar parte dela para não desequilibrar o sistema.

O acionamento foi comunicado no sábado (6) e colocado em prática no domingo (7), um dia de baixa demanda por causa do feriado e das temperaturas amenas em boa parte do país. Com menos gente usando ar-condicionado e indústrias paradas, o consumo cai, mas as usinas solares continuam despejando energia na rede sob o sol forte do meio-dia.

ONS aciona pela primeira vez plano emergencial para frear sobra de energia no país
Painéis solares em telhado; a geração solar distribuída foi a mais afetada pelo corte do ONS (imagem ilustrativa). — Marta Victoria / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A regra que permite esse corte foi aprovada pela Aneel em novembro de 2025 e nunca havia sido usada. Chamada de Plano Emergencial de Gestão de Excedentes, ela autoriza o ONS a reduzir a geração quando há risco de a sobra de eletricidade provocar instabilidade e até desligamentos automáticos na rede.

O alvo principal são as pequenas usinas solares e os microgeradores ligados às distribuidoras, que não têm a conexão controlada diretamente pelo operador. Doze distribuidoras de diferentes estados ficaram responsáveis por administrar esses cortes. Boa parte da produção de grandes parques eólicos e solares também entrou na conta da redução.

O episódio escancara um gargalo estrutural: a geração de energia limpa, sobretudo a solar em telhados, cresceu muito mais rápido do que a capacidade do país de armazenar e escoar esse excedente. Em momentos de baixo consumo, os painéis solares já chegaram a cobrir cerca de 40% da demanda nacional, levando o sistema perto do limite de segurança.

O Paraná está entre os estados cujas distribuidoras foram acionadas para administrar o corte, o que mostra como o avanço da geração solar distribuída já é forte no estado. O tema é sensível para quem investiu em painéis em casa, em propriedades rurais e na indústria. A discussão sobre armazenamento em baterias e novas linhas de transmissão tende a ganhar peso no Paraná, que combina forte geração hidrelétrica, como Itaipu, com a expansão acelerada da energia solar nos telhados.

Com informações de O Tempo (com dados do ONS) — 6 de junho de 2026.

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