Painel oficial do El Niño 2026-2027 prevê seca no Norte e Nordeste e chuva acima da média no Sul
Boletim conjunto de seis órgãos federais alerta para deficiência hídrica no campo, calor acima do normal e risco maior de queimadas no segundo semestre.
O primeiro Boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em 30 de junho pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), reúne INMET, INPE, ANA, Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) e projeta impactos distintos por região no trimestre julho-agosto-setembro. O documento prevê chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas no Norte e no Nordeste, com deficiência hídrica sobre pastagens e agricultura familiar, e volume de chuvas acima da média no Sul — cenário que já levou 66 municípios a registrar transição para seca severa entre abril e maio, segundo o boletim.
O painel, coordenado pelo Cemaden, consolida a leitura de seis órgãos federais sobre os efeitos do El Niño no país. Para o trimestre julho-agosto-setembro de 2026, a previsão é de chuvas abaixo da média e calor acima do normal no Norte e no Nordeste, com deficiência hídrica que tende a prejudicar pastagens e a agricultura familiar dessas regiões.
No Sul, a expectativa é oposta: chuvas acima da média, com estimativa de até 100 mm a mais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, segundo as projeções do Inmet e do CPTEC/INPE. O excesso de água favorece a disponibilidade hídrica, mas eleva o risco de encharcamento do solo e de doenças fúngicas nas lavouras. No Centro-Oeste, o tempo mais seco tende a beneficiar a colheita de milho, algodão e cana, ainda que o calor pressione as pastagens.
O boletim registra que 66 municípios passaram à condição de seca severa entre abril e maio e que o Sudeste apresentava seca grave em 2% de sua área em maio. As temperaturas acima da média no segundo semestre aumentam a probabilidade de ondas de calor e de focos de queimada, segundo os órgãos.
O Painel El Niño 2026-2027 terá atualizações periódicas para orientar defesa civil, produtores e gestores públicos. A previsão climática oficial é revisada mensalmente pelo Inmet e pelo CPTEC/INPE ao longo do episódio.
Fonte: Cemaden / MCTI.