PF desmarca depoimento de Jaques Wagner no caso Banco Master a pedido da defesa
Relatórios apontam proximidade do petista com executivos do banco de Daniel Vorcaro e acompanhamento da emenda que elevaria a cobertura do FGC a R$ 1 milhão
A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA) para prestar depoimento sobre o suposto recebimento de vantagens econômicas indevidas para atender a interesses do Banco Master no Congresso Nacional, O depoimento está marcado para esta sexta-feira (7), em Brasília.
A defesa sustentou que pediu o adiamento porque ainda não teve acesso, “por problemas técnicos (todos documentados)”, ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês. Em nota, afirmou: “O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação”, de modo a prestar “um depoimento verdadeiramente esclarecedor”. É a segunda vez que um ato de apuração do caso é desmarcado: no início da semana, o depoimento do banqueiro Augusto Ferreira Lima também foi adiado.
Nos relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal aponta Wagner como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”. Entre os benefícios apurados estão o uso frequente de aeronaves ligadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro, ingressos para eventos, a negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, e transferências que somam R$ 3,5 milhões em nomes de familiares do senador.
A investigação examina a relação de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno. Os investigadores suspeitam que Lima tenha comprado o imóvel de Salvador por meio de intermediários em benefício do senador. A apuração também trata do apoio a medidas de interesse do Banco Master no Congresso, entre elas a chamada “Emenda Master”.
Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho. Menos de uma semana depois, deixou a liderança do governo no Senado, em acordo com o presidente Lula, para se concentrar na defesa. A primeira intimação foi feita em 21 de julho.
O senador nega as acusações. Segundo sua versão, procurou Augusto Lima para que ele comprasse o apartamento temporariamente, com o compromisso de revendê-lo depois para a filha, e o imóvel nunca fez parte do seu patrimônio. Sobre os valores em espécie apreendidos, afirmou que vieram de diárias de missões internacionais. Em 21 de julho, questionado por jornalistas em Salvador, disse: “Eu, por orientação do meu advogado, não falo sobre o tema. Eu estou falando só sobre campanha e ele responde sobre isso aí. Mas eu estou tranquilo. Acho que, assim como em 2018, a inocência será provada, independentemente dessa agitação que está agora”.
Fontes: Bahia Notícias, Gazeta do Povo, Poder360, Metrópoles e Congresso em Foco.