Poupança perde R$ 7,15 bilhões em julho, maior saque desde março, e já acumula R$ 46,5 bilhões de saída no ano
Dados do Banco Central mostram o segundo mês seguido de retiradas líquidas; no SBPE, ligado ao crédito imobiliário, o rombo foi de R$ 6,95 bilhões e maio segue como único mês positivo de 2026
A caderneta de poupança fechou julho com saques líquidos de R$ 7,153 bilhões, o maior volume de retiradas desde março, segundo dados divulgados pelo Banco Central em 6 de agosto. Foi o segundo mês consecutivo de saída de recursos, e no acumulado de janeiro a julho a aplicação mais popular do país já perdeu R$ 46,509 bilhões.
O número mais delicado está no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, que financia a compra da casa própria: o saldo do SBPE ficou negativo em R$ 6,952 bilhões no mês, também o pior desde março. Menos dinheiro na poupança significa menos funding barato para o crédito imobiliário, com efeito direto sobre juros e prazos das prestações. Maio segue sendo o único mês de 2026 em que a caderneta terminou com entrada líquida positiva.
A explicação está na conta que qualquer poupador faz. Enquanto a taxa básica de juros permanece acima de 8,5% ao ano, a poupança rende Taxa Referencial mais 0,5% ao mês — um teto que fica muito abaixo do que pagam títulos públicos, CDBs e fundos atrelados ao CDI. Com a Selic em patamar de dois dígitos, a migração para aplicações de renda fixa mais rentáveis deixou de ser opção sofisticada e virou rotina, ao mesmo tempo em que parte das famílias saca simplesmente para fechar o orçamento apertado por juros e endividamento.