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Coluna de Opinião

Redata finalmente virou lei, mas deixa rastro de tensão entre ministérios

Programa de incentivo a data centers é aprovado após meses travado no Senado, e Fazenda admite que recursos poderiam virar alívio fiscal

Otávio Bittencourt ·2 min
Redata finalmente virou lei, mas deixa rastro de tensão entre ministérios
Foto: neofeed.com.br

O Redata, programa de incentivos para atrair investimentos em data centers no Brasil, foi convertido em lei após uma longa e turbulenta jornada pelo Congresso. O que parecia simples — fomentar infraestrutura digital — virou campo de disputa política e fiscal entre governo, Senado e Câmara, revelando

O programa nasceu como medida provisória no fim de 2025, mas sua trajetória legislativa foi tudo menos linear. A MP caducou em fevereiro, forçando o governo a enviar um novo projeto de lei. A Câmara aprovou, mas o Senado travou a votação por meses — parte de uma crise mais ampla entre o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) e o Palácio do Planalto sobre a agenda de votações. O Redata só destrancou após reuniões entre Alcolumbre e Lula para definir o chamado “esforço concentrado”, entrando em votação apenas na semana anterior à aprovação.

Para viabilizar os incentivos fiscais, foi necessário aprovação paralela de um projeto de lei complementar (PLP 74/2026) em ambas as casas. Essa sobreposição de votações revela como assuntos econômicos complexos ficam reféns de dinâmicas políticas mais amplas no Congresso. O governo havia reservado R$ 5,2 bilhões em renúncia fiscal para 2026, recursos que só voltam ao orçamento com a aprovação definitiva.

O detalhe que expõe a real prioridade: enquanto o PL ficava parado no Senado, o Ministério da Fazenda admitiu publicamente que poderia reaproveitar esses R$ 5,2 bilhões como alívio para a meta fiscal do ano. Isso significa que a aprovação do Redata não era questão de convicção econômica inabalável, mas de oportunidade política e orçamentária. Quando o dinheiro ficou ameaçado, a Fazenda viu chance de redirecionar.

Do ponto de vista de poder, o que se vê é o executivo dependente de um Congresso fragmentado para aprovar sua agenda, mesmo em temas supostamente consensuais como infraestrutura digital. Ministérios com objetivos distintos — Fazenda protegendo metas fiscais, Minas e Energia empenhado em atrair investimentos — criam dinâmicas de negociação que alongam processos simples.

O impacto prático: data centers que poderiam estar sendo planejados meses atrás agora começam sua trajetória legal, mas em um contexto de incerteza fiscal que pesa sobre toda a agenda econômica. O programa é relevante para a transformação digital do país, mas sua aprovação demonstra que nem mesmo prioridades de infraestrutura conseguem escapar do “fogo cruzado” entre Fazenda e ministérios setoriais.

Com informações de neofeed.com.br

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