Redata travado no Senado enquanto governo negocia R$ 5,2 bilhões em alívio fiscal
Projeto de incentivos a data centers segue fora da pauta, mas setor tenta última pressão junto a Lula e Guimarães
O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) permanece emperrado no Senado enquanto o governo avalia desistir do programa em 2026. Empresas do setor tentam uma última mobilização antes do encerramento das votações, em setembro.
Análise — Otávio Bittencourt
O Redata está numa encruzilhada que revela como agendas legislativas são negociadas e abandonadas no Brasil. O projeto, que cria um regime tributário especial para atrair investimento em infraestrutura digital e data centers, foi preterido na agenda do Senado apesar do aval inicial do presidente Davi Alcolumbre (União-AP). O governo já considera sua desistência em 2026 — estratégia comum em anos eleitorais, quando prioridades mudam de acordo com calendário político, não com urgência econômica.
O número em jogo é expressivo: R$ 5,2 bilhões em renúncia fiscal que poderia virar alívio para a meta fiscal do governo, caso o Redata não seja aprovado. Do ponto de vista orçamentário, é interessante: não gastar é uma forma de cumprir metas. Mas revela também o custo real de deixar projetos de infraestrutura na gaveta — quando não se investe em data centers agora, perde-se competitividade digital contra vizinhos latino-americanos que já têm regimes semelhantes.
A tentativa final do setor é clara: frentes parlamentares pró-empresariado vão pressionar Lula e o ministro José Guimarães (autor do projeto) por uma última chance de votação no esforço concentrado previsto para 31 de agosto a 4 de setembro. É uma aposta na reaproximação entre Executivo e Legislativo, mas que depende de retirar o Redata da invisibilidade em que caiu.
O problema estrutural aqui é menor do que parece à primeira vista: não se trata de rejeição ao programa, mas de simples falta de priorização. Alcolumbre deu aval positivo após negociar com Lula, mas outros projetos (PEC da escala 6x1, minerais críticos, segurança) foram à frente. Em legislaturas ocupadas e fragmentadas, nem tudo cabe na agenda, mesmo quando é benéfico.
O impacto será duplo se o Redata cair: o Brasil perde oportunidade de competir globalmente em um setor que cresce exponencialmente, e o governo deixa R$ 5,2 bilhões “sobrando” sem usá-los de forma estratégica. Não é drama, é apenas lógica ordinária de governo: prioridades mudam, projetos infraestruturais ficam para depois, e depois vira nunca.
Com informações de neofeed.com.br (fonte no link).