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Rússia inclui pela primeira vez territórios ocupados da Ucrânia na eleição para a Duma

Votação de 18 a 20 de setembro alcança Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, onde Moscou diz haver 3,5 milhões de eleitores; Kiev classifica o pleito de ilegal e a União Europeia não reconhecerá o resultado

Redação Voz Conectada ·2 min
Rússia inclui pela primeira vez territórios ocupados da Ucrânia na eleição para a Duma
Sede da Duma de Estado, em Moscou, em junho de 2026. Foto: Юрий Д.К./Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Rússia realizou entre sexta-feira (18) e este domingo (20) a eleição para a Duma, câmara baixa do Parlamento, incluindo pela primeira vez moradores das regiões ucranianas ocupadas e anexadas por Moscou desde o início da invasão em larga escala. São 450 cadeiras em disputa.

Nas áreas ocupadas das regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, e em algumas regiões russas próximas à fronteira, a votação começou ainda no fim de agosto, por “razões de segurança”, segundo as autoridades russas. Moscou afirma haver mais de 3,5 milhões de eleitores nesses territórios, anexados em setembro de 2022 sem que estivessem inteiramente sob controle russo e sem reconhecimento internacional. A Ucrânia classificou a votação como ilegal e pediu a outros países e organizações que não reconheçam seus resultados.

O porta-voz do Serviço Europeu de Ação Externa, Christian Wigand, afirmou em 18 de setembro que a forma como o pleito foi conduzido “evidencia a erosão contínua e crescente da democracia na Rússia” e condenou “inequivocamente” a organização das chamadas eleições nos territórios ucranianos temporariamente ocupados, advertindo que organizadores e candidatos serão responsabilizados.

É a primeira eleição legislativa russa desde o início da guerra, e a leitura corrente entre analistas é que o objetivo do Kremlin é menos escolher representantes do que consolidar, por meio de ato formal de voto, a incorporação dos territórios tomados — construindo um fato consumado para eventual mesa de negociação. A oposição democrática segue sem condições de disputar, conforme registrado no próprio comunicado europeu.

Os resultados oficiais e o comparecimento final ainda não haviam sido divulgados pela Comissão Eleitoral Central russa até a manhã deste domingo, com a votação em curso; números de participação devem ser lidos com cautela, já que não há observação eleitoral independente nas áreas ocupadas.

Fontes: NPR · The Washington Times · The Manila Times · CP24

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