Senado destrava PEC do fim da 6×1 após sinal verde de Lula
Proposta aprovada na Câmara em maio sai da gaveta e vai à comissão; votação pode ocorrer entre primeiro e segundo turno das eleições
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, despachou nesta sexta-feira a PEC que elimina a jornada 6×1 para análise da Comissão de Constituição e Justiça, depois de conversa direta com o presidente Lula. A medida estava parada desde maio e agora ganha ritmo institucional.
A PEC do fim da 6×1 saiu do limbo legislativo. Despachada para comissão nesta sexta-feira, a proposta que já havia passado pela Câmara dos Deputados em maio permanecia na mesa de Alcolumbre sem movimento. A conversa entre o presidente do Senado e Lula na última quarta mudou o cenário — não como imposição, mas como sinalização de prioridade do Executivo. Alcolumbre enquadrou o despacho como parte de um diálogo “maduro, franco e republicano”, o que traduz em linguagem institucional: conversaram, entenderam o recado.
O timing revela a matemática política em torno da medida. Senadores admitem dificuldade em votar a PEC entre 31 de agosto e 3 de setembro, quando o Congresso trabalha concentrado. Mas existe uma janela factível: entre o primeiro e o segundo turno das eleições de outubro. Lá, Alcolumbre poderia levar a proposta ao plenário sem ser acusado de engavetamento, e Lula teria uma vitória legislativa concreta no meio da campanha — três pássaros com uma pedra.

A questão revela pressões contraditórias sobre Alcolumbre. De um lado, partidos da base presidencial pressionam para acelerar; do outro, senadores resistem ao cronograma apertado. A solução intermediária (votação no intervalo entre turnos) tira o presidente do Senado do fogo cruzado e permite ao governo uma narrativa de sucesso sem desespero — a medida não some, apenas adia para momento estrategicamente melhor.
Além da 6×1, Alcolumbre também encaminhou às comissões a PEC da Segurança Pública e o projeto sobre minerais críticos e estratégicos, ambos itens da agenda presidencial. O movimento mostra que o diálogo Lula-Alcolumbre funcionou para destravar a fila — não para subordinação, mas para clareza sobre o que é prioridade nacional segundo o Executivo, tarefa que compete ao Congresso avaliar com autonomia.
Falta o passo fundamental: a análise técnica e política na CCJ. Aí a PEC enfrenta seus verdadeiros obstáculos. Mas ao menos saiu da gaveta e começou a andar.
Com informações de www.apufsc.org.br (fonte no link).