Paraná · 12 de outubro de 2026
Curitiba 14°C Londrina 17°C Maringá 17°C Cascavel 16°C Foz do Iguaçu 20°C
Voz Conectada
Voltar
BR Internacional ·
Coluna de Opinião

STF negocia trégua com direita após avanço eleitoral: o dilema entre governabilidade e revanchismo

Supremo busca acordo com bolsonarismo para evitar crise institucional; tensão histórica entre Poderes ameaça reformas econômicas

Rafael Antunes ·2 min
STF negocia trégua com direita após avanço eleitoral: o dilema entre governabilidade e revanchismo
Foto: ajn1.com.br

Diante do avanço da direita nas urnas e da possível vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, o Supremo Tribunal Federal inicia negociações backstage para evitar repetição do conflito de 2020-2022. O desafio é conciliar estabilidade institucional com o histórico de enfrentamentos entre a Corte

A cúpula do STF acordou que algo mudou no tabuleiro político brasileiro. Assim como ocorreu em 2018, quando Bolsonaro ascendeu, a Corte vê-se diante de uma força política crescente que contestou sua autoridade e ameaçou sua autonomia. Desta vez, o cenário é mais delicado: Flávio Bolsonaro à frente nas pesquisas para presidente e o PL como a maior bancada do Congresso eleito. A resposta dos ministros não é de trincheira, mas de negociação. Rogério Marinho, articulador do lado bolsonarista, já conversa com ministros como Gilmar Mendes para sinalizar que não haverá guerra declarada contra o Supremo — apenas exigência de reformas econômicas.

O contexto histórico pesa aqui. Entre 2020 e 2022, a relação entre STF e Planalto despencou. Bolsonaro atacava a Corte publicamente, ministros respondiam com inquéritos e ofensivas judiciais, e o conflito escalou sobre isolamento, vacinação, urnas eletrônicas e, por fim, tentativa de golpe. Quando Lula venceu em 2022, o STF respirou aliviado e amplificou a retórica contra o ex-presidente, classificando o bolsonarismo como ameaça existencial à democracia. Agora, com possível retorno da direita, aquela postura intensa não mais se sustenta politicamente.

O dilema é real e não tem resposta fácil. De um lado, ministros precisam preservar a instituição: negar negociação é arriscar novo ciclo de ataques e esvaziamento da Corte. Do outro, há o risco do revanchismo — se cederem demais em termos de investigações pendentes ou condenações passadas, comprometem a credibilidade judicial e a luta contra irregularidades. A saída buscada agora é o meio do caminho: estabilidade institucional em troca de reformas que o novo governo diz serem necessárias para a economia.

Para o Brasil, isso significa que os próximos meses serão decisivos não apenas para a economia, mas para a própria relação entre Poderes. A questão que fica é se tal pacto segurará ou se os mesmos atores que se enfrentaram duramente entre 2020 e 2022 encontrarão novos motivos para conflito. A governabilidade exige cooperação; a história recente sugere que essa cooperação é frágil.

Com informações de ajn1.com.br (https://ajn1.com.br/com-avanco-da-direita-nas-eleicoes-stf-busca-negociar-acordo-para-frear-crise-institucional).

Relacionados

Ver no Instagram · @vozconectada1