Amazon fecha o Mechanical Turk, plataforma de microtarefas que Bezos chamou de inteligência artificial artificial
Serviço criado em 2005, que já reuniu mais de 500 mil trabalhadores pagos por tarefa, sai do ar em 30 de setembro; parte do trabalho que ele intermediava foi absorvida pela própria automação
A Amazon vai desligar em 30 de setembro o Mechanical Turk, plataforma que desde 2005 conecta empresas a trabalhadores remunerados por pequenas tarefas digitais. O anúncio foi feito em um aviso publicado no site do próprio serviço.
No Mechanical Turk, as empresas publicavam as chamadas Human Intelligence Tasks — rotular dados, transcrever áudio e vídeo, responder a questionários —, executadas por pessoas pagas por tarefa, em geral alguns centavos por unidade.
O robô de xadrez que deu nome ao serviço
A plataforma foi lançada em 2005 e, no auge, reuniu mais de 500 mil trabalhadores, conhecidos como turkers. Jeff Bezos descrevia o serviço como “inteligência artificial artificial”, porque repassava a humanos tarefas simples para uma pessoa e difíceis para um computador.
O nome vem do autômato jogador de xadrez do século 18 que impressionou a Europa e, no fim, escondia um enxadrista humano dentro do gabinete. A ideia original da Amazon era usar a plataforma para classificar grandes volumes de dados da própria loja virtual.
A automação alcançou o serviço
Nos últimos meses o Mechanical Turk vinha “em declínio”, segundo Krista Pawloski, trabalhadora de dados e organizadora do Turkopticon, grupo de defesa desses profissionais. Os modelos de inteligência artificial avançaram, e empresas como Scale AI, Mercor e Prolific passaram a recrutar gente para treinar sistemas.
Um estudo de pesquisadores suíços publicado em 2023 estimou que até 46% dos trabalhadores do Mechanical Turk usavam modelos de IA para concluir as próprias tarefas.
No mês passado a Amazon deixou de aceitar novos clientes na plataforma, sinal que muitos trabalhadores leram como o começo do fim. Segundo Pawloski, empresas de seguros e de turismo que ainda dependem do serviço agora procuram alternativas.
Ela começou no Mechanical Turk em 2008, durante a licença-maternidade, para complementar a renda, e passou a viver da plataforma em 2012, depois de deixar o emprego para cuidar do filho com necessidades especiais. Diz que o trabalho oferece renda relevante e horário flexível, feito de casa pelo celular: “Há algumas pessoas que ainda fazem isso praticamente em tempo integral. Eles estão preocupados agora.”
Fonte: cnbc.com.