Austrália tira das paradas musicais as faixas inteiramente geradas por inteligência artificial
ARIA atualizou o código das paradas: música feita totalmente por IA deixa de ser elegível a partir da lista de 31 de agosto; gravação que usa IA como ferramenta de apoio continua valendo
A Australian Recording Industry Association (ARIA) confirmou que gravações inteiramente geradas por inteligência artificial deixam de ser elegíveis para as paradas musicais australianas. A mudança no código de prática vale a partir da lista com data de 31 de agosto, publicada na sexta-feira (28).
A entidade aplicou às paradas australianas os princípios globais sobre gravações desenvolvidas com IA generativa fixados pela IFPI, a federação internacional da indústria fonográfica. Faixas produzidas integralmente por IA ficam de fora; gravações que usam a tecnologia em papel de apoio continuam elegíveis. Para separar um caso do outro, a ARIA vai adotar as definições do padrão de rotulagem anunciado pela indústria musical global em 10 de julho.

Quando considerar uma gravação inelegível, a associação poderá recusá-la na apuração, excluí-la ou removê-la das paradas de forma prospectiva ou retroativa, ajustar posições, retirar certificações e revogar prêmios já concedidos — inclusive o ARIA nº 1. A faixa inelegível também fica fora do ARIA Awards.
“As paradas podem e devem evoluir para dar espaço a isso, mas música gerada no atacado por serviços construídos em cima das gravações dos artistas é outra coisa”, disse a presidente-executiva da ARIA, Annabelle Herd. Segundo ela, uma parada que premia produção de IA sem licença mina a própria base da música gravada que a entidade existe para representar. A ARIA também reforçou o processo de contestação, para que artistas e representantes possam apresentar provas de elegibilidade, e conclamou o rádio a adotar regra semelhante.
O pano de fundo é concreto: em julho, uma faixa produzida com IA virou a música mais tocada nas rádios australianas e chegou ao quarto lugar em duas paradas da ARIA.