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ANJ, Abert e Aner veem ameaça ao sigilo da fonte em operação autorizada por Moraes no Maranhão

PF cumpriu busca e apreensão contra ex-secretário apontado como fonte de blogueiro que publicou sobre uso de carros oficiais por familiares de Flávio Dino

Redação Voz Conectada ·2 min
ANJ, Abert e Aner veem ameaça ao sigilo da fonte em operação autorizada por Moraes no Maranhão
Ministro Alexandre de Moraes — Isac Nóbrega (CC BY 2.0, via Wikimedia Commons)

Entidades que representam jornais, emissoras e revistas divulgaram nota conjunta em que apontam risco ao sigilo da fonte na operação da Polícia Federal cumprida nesta terça-feira (11) no Maranhão. A busca e apreensão, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, teve como alvo o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim, identificado na investigação como fonte do jornalista Luís Pablo, autor de publicações sobre o uso de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) divulgaram nota conjunta criticando a decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou busca e apreensão contra o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão Raimundo Cutrim, cumprida pela Polícia Federal nesta terça-feira (11).

As entidades sustentam que medidas judiciais destinadas a identificar ou atingir fontes jornalísticas “não têm amparo constitucional” e invocam o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição, que assegura o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional.

Segundo a apuração, Cutrim foi apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo Blog do Luís Pablo, que publicou informações sobre o uso de carros do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino; os dados que levaram à investigação teriam sido extraídos do celular do próprio blogueiro, apreendido em operação de março de 2026. Na ocasião, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já havia classificado aquela decisão como “insuficientemente fundamentada” e alertado para o efeito cascata em outros tribunais.

O ponto que as entidades levantam é objetivo e independe de quem é o alvo: quando o Estado passa a caçar a origem da informação, o custo não recai sobre um repórter, e sim sobre o direito do público de saber o que o poder faz com dinheiro público.

Fonte: Gazeta do Povo.

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