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Coluna de Opinião

BRICS 2026: Diálogo sem ilusões

Bloco de potências emergentes aposta em cooperação gradual, mas sem mecanismo real para resolver conflitos globais

Rafael Antunes ·2 min
BRICS 2026: Diálogo sem ilusões
Foto: vietnam.vn

A cúpula do BRICS 2026 reafirmou o compromisso com o multilateralismo e a resolução pacífica de disputas. O desafio: transformar palavras em ação num mundo polarizado.

O BRICS não é um clube homogêneo. Reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — países com interesses, visões geopolíticas e alinhamentos completamente distintos sobre o Oriente Médio, a Ucrânia, a liderança global e reformas no sistema de governança internacional. A cúpula de 2026 reconheceu essa realidade sem fingir que ela não existe, o que é honesto. A aposta do grupo é mais modesta e realista: manter canais de contato vivos, fomentar diálogos sobre temas práticos como energia, alimentos e economia, e criar espaço para encontrar denominadores comuns em questões menos explosivas.

O comunicado final enfatizou multilateralismo, direito internacional, desescalada e moderação — discurso que soa bem, mas carece de dentes. Os BRICS não criaram nenhum mecanismo específico capaz de mediar conflitos reais ou conter as grandes potências. Não é um tribunal, não é um conselho de segurança paralelo. É mais próximo de um fórum onde potências médias e emergentes conseguem pelo menos se ouvir, em vez de apenas trocar acusações na ONU.

Numa época em que os EUA, China e Rússia disputam influência e a ordem internacional desmorona lentamente, isso importa. Não resolve a guerra na Ucrânia, não encerra o caos do Oriente Médio, não altera o jogo das grandes potências. Mas cria uma trincheira diplomática onde a desescalada é possível. É menos que muitos esperavam, mais que o pessimismo total permitiria.

Para o Paraná, a relevância é indireta mas real. O estado depende de mercados globais: exporta soja, trigo, carne e energia a China, Índia e outros parceiros BRICS. A instabilidade geopolítica afeta câmbio, fretes, demanda. Um diálogo permanente entre essas potências — ainda que imperfeito — reduz o risco de um confronto maior que desorganizasse completamente o comércio internacional. É o tipo de coisa que um exportador paranaense espera quietinho: que os gigantes conversem e não se matem.

A conclusão é clara: o BRICS 2026 foi um reafirmar de compromissos, não uma virada histórica. Os membros reconheceram que podem coexistir em temas específicos sem resolver as grandes questões. Isso é pragmático. Não é glória, é sobrevivência diplomática.

Com informações de www.vietnam.vn (fonte no link).

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