Macron reúne líderes partidários e manda o governo montar plano contra ataques híbridos russos
Em comunicado oficial do Eliseu, presidente francês diz que a ameaça "se intensificou nas últimas semanas" e determina proteção de infraestruturas críticas contra drones e ciberataques
O presidente da França, Emmanuel Macron, reuniu nesta sexta-feira (18) os líderes dos partidos com representação no Parlamento para tratar dos efeitos da situação internacional sobre a segurança do país e determinou ao governo a elaboração de um plano de proteção das infraestruturas críticas francesas contra ataques com drones e ciberataques.
Segundo o comunicado publicado pelo Eliseu, os chefes dos serviços de inteligência — DGSE (externa), DGSI (interna) e DRM (militar), além da DGEC e do SGDSN — apresentaram aos dirigentes partidários um balanço da guerra na Ucrânia e da situação no Oriente Médio. Macron afirmou que “nas últimas semanas, a ameaça, particularmente a ameaça híbrida russa contra os europeus e contra a França, se intensificou”, reafirmou o apoio francês à Ucrânia e a política de sanções contra Moscou e advertiu que ações russas em território europeu não ficarão sem resposta.
“No dia em que formos atacados fisicamente, não seremos avisados”, disse. A nota registra ainda o reforço da postura de vigilância para proteger sítios sensíveis da base industrial e tecnológica de defesa e acelerar o combate à interferência estrangeira.
A reunião ocorre depois de uma sequência de incidentes atribuídos à Rússia na Europa: tentativa de ataque com drones contra o aeroporto de Leipzig, na Alemanha, atribuída ao serviço militar russo GRU, incursões no espaço aéreo de países da Otan e o disparo de um sinalizador nas proximidades de uma fragata dinamarquesa.
A chamada guerra híbrida — sabotagem, ciberataque, drones e operações de desinformação abaixo do limiar do conflito armado aberto — virou o principal vetor de pressão russa sobre governos europeus que sustentam o apoio militar a Kiev, e agora provoca resposta coordenada de Paris no plano institucional, com a oposição incluída na conversa.