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TJ-SP cria varas para atuar na ligação entre organizações criminosas e bets ilegais

Presidente do STF e do CNJ chama avanço das facções de tragédia contemporânea e defende asfixiar lavagem via apostas online

Redação Voz Conectada ·3 min
TJ-SP cria varas para atuar na ligação entre organizações criminosas e bets ilegais
Foto: conjur.com.br

O Tribunal de Justiça de São Paulo criou uma estrutura especializada na atuação em processos envolvendo organizações criminosas e suas ligações com bets ilegais para lavagem de dinheiro.

As ações serão concentradas em três varas criminais na capital paulista, com suporte de uma vara estadual das garantias para atuar com medidas cautelares na fase investigativa desses processos.

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, esteve no lançamento das varas, nesta quarta-feira (8/7), no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. Segundo ele, há um conjunto de medidas em articulação com o Banco Central para criar mecanismos para coibir o uso de bets ilegais e criptomoedas na lavagem de dinheiro.

"A relação entre o crime organizado e as bets ilegais é um tema relevante para despertar a necessidade de uma regulação financeira. Há um mercado clandestino para cometer delitos como lavagem de dinheiro em integração com outras atividades criminosas, como o tráfico, o contrabando, a extorsão e a corrupção", disse Fachin.

O magistrado afirmou ainda que o tema já assumiu um caráter transnacional, pois empresas constituídas fora do país são usadas para ocultar recursos oriundos do crime organizado. "Ainda há uma fragmentação das transações, dificultando as investigações e bloqueios patrimoniais para a recuperação de ativos."

Fachin também demonstrou preocupação com a nacionalização das organizações criminosas, que, segundo ele, passaram a atuar na grilagem de terras, no desmatamento e no garimpo ilegal, principalmente na Região Norte.

Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Francisco Eduardo Loureiro disse que a nova estrutura transfere todas as investigações envolvendo o crime organizado para as varas especializadas na capital paulista. "São crimes de extrema complexidade. Por isso, foram concentrados em juízes especializados."

Ele também informou que essas varas estarão ligadas a uma rede nacional de juízes especializados no combate a organizações criminosas. "É muito comum que, em uma operação em São Paulo, haja ramificações, com diligências cumpridas em outros estados. Por isso, a importância de uma rede nacional."

A concentração das varas em São Paulo também está ligada a uma outra preocupação: a vulnerabilidade de magistrados responsáveis por investigações contra organizações criminosas. Segundo o CNJ, mais de cem juízes estão em atividades de risco no Brasil — 79 deles atuando com medidas protetivas.

"Isso requer uma atenção especial, seja pela ameaça ou pela violência direta. É preciso ter um cuidado com os magistrados sob ameaça das organizações criminosas. É preciso evitar um efeito sistêmico sobre a independência judicial", alertou Fachin.

Fonte: conjur.com.br.

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