Comércio no Oeste do Paraná cresce 22% e aquece a economia da fronteira
Movimento de turistas e comerciantes cresceu 22% no trimestre. Câmbio favorável e novos voos internacionais explicam o aquecimento.
O movimento econômico no Oeste do Paraná e na sua fronteira com Paraguai e Argentina vive um momento de aquecimento expressivo. Levantamento divulgado pelas câmaras de comércio da região aponta crescimento de 22% no fluxo comercial e turístico durante o primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O resultado vem sendo atribuído a uma combinação de fatores: câmbio favorável para visitantes brasileiros e argentinos no Paraguai, retomada dos voos internacionais para Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, além da intensificação de eventos culturais e feiras de negócios que atraíram público regional e estrangeiro.
Comércio paraguaio puxa números
Em Ciudad del Este, comerciantes relatam filas constantes desde o início da manhã. Lojas de eletrônicos, perfumarias e artigos esportivos figuram entre os setores mais procurados. Segundo a Cámara de Comercio de Alto Paraná, o tíquete médio dos compradores brasileiros aumentou cerca de 18% no período.
"Estamos vendo o retorno do consumidor que ficou ausente durante alguns anos. O brasileiro voltou em peso, e o argentino também tem aproveitado a paridade para comprar no Paraguai", afirmou Hugo Benítez, presidente da entidade. Ele destacou que a expectativa é manter o ritmo até o fim do ano, com a aproximação das festas.
Turismo movimenta hotelaria
Do lado brasileiro, Foz do Iguaçu registra ocupação hoteleira média de 78%, segundo o Sindicato de Hotéis e Restaurantes da cidade. As Cataratas do Iguaçu, principal atrativo turístico, receberam mais de 480 mil visitantes no trimestre, número próximo ao melhor desempenho histórico.
O setor de gastronomia também sente os reflexos. Restaurantes típicos relatam reservas com semanas de antecedência, principalmente nos fins de semana. A diversidade gastronômica — com pratos paraguaios, argentinos, árabes e brasileiros convivendo na região — é apontada como atrativo extra.
Argentina busca recuperar fluxo
Em Puerto Iguazú, na Argentina, a recuperação ainda é mais lenta, mas mostra sinais positivos. O setor de turismo argentino, mais dependente do mercado interno, vinha sofrendo com a inflação e a perda de poder de compra. Agora, com promoções e pacotes integrados às Cataratas e Itaipu, busca atrair visitantes da própria região.
A Subsecretaria de Turismo de Misiones lançou uma campanha integrada de promoção do destino, com material publicitário em português, espanhol e inglês. A meta é aumentar a permanência média do visitante na região, hoje em torno de 2,8 dias.
Itaipu segue como motor estratégico
A usina hidrelétrica de Itaipu permanece como um dos principais motores econômicos da região, gerando empregos diretos, indiretos e movimentando o turismo técnico. Em parceria com universidades e centros de pesquisa, a binacional tem ampliado projetos de inovação, energia limpa e desenvolvimento territorial.
Recentemente, a empresa anunciou aporte para programas de capacitação profissional voltados a jovens da região de fronteira, com cursos gratuitos em áreas como hospitalidade, idiomas e tecnologia. A iniciativa deve formar mais de 3 mil pessoas nos próximos 24 meses.
Desafios logísticos persistem
Apesar do bom momento, autoridades reconhecem desafios estruturais. As filas na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este, continuam sendo o principal gargalo. Projetos de uma segunda ponte estão em fase final de execução e devem aliviar o trânsito a partir do próximo ano.
"Quando a segunda ponte estiver operando, o impacto será imediato. Hoje, perdemos turistas e oportunidades por causa do congestionamento", afirmou o secretário de Turismo de Foz, Marcos Andrade. Ele lembrou ainda que a integração regional depende de políticas conjuntas de migração, segurança e infraestrutura.
O fortalecimento dos comitês de cooperação fronteiriça e a criação de novos protocolos sanitários e fiscais também estão entre as agendas debatidas pelos municípios da fronteira. A expectativa é de que o segundo semestre traga novidades importantes na cooperação regional.