Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido no caso Master e chamam de "via inadequada" o controle externo aberto pela PGR
Associação dos Delegados de Polícia Federal invoca o artigo 258 do Código de Processo Penal e argumenta que o procurador-geral da República é citado nominalmente no relatório sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes
A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) protocolou neste sábado (5) requerimento para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar em procedimentos que tratem de fatos nos quais ele próprio é citado no caso do Banco Master. A entidade também pede o arquivamento do Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial que Gonet instaurou para examinar a elaboração do relatório da PF que apontou proximidade entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A associação sustenta que as regras de impedimento e suspeição previstas para juízes se aplicam a membros do Ministério Público por força do artigo 258 do Código de Processo Penal, e que há conflito de interesses porque o procurador-geral aparece nominalmente no relatório de inteligência que motivou o procedimento. Para a ADPF, o controle externo da atividade policial não é “instância de revisão de decisões judiciais” e, portanto, não serve para questionar ato do Supremo — no caso, as medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça nas apurações sobre Vorcaro.
O requerimento é a reação da categoria a um movimento feito na noite de sexta-feira (4), quando Gonet comunicou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a abertura de apuração sobre suposta ordem ou interferência externa na produção do relatório da Polícia Federal. Delegados tratam a medida como intimidação a policiais que assinaram o documento. A Procuradoria-Geral da República não havia se manifestado sobre o pedido até a publicação desta matéria; a nota da ADPF é o registro público disponível do ato.
Fonte: Gazeta do Povo.