PF cumpre 49 mandados na Operação Make Up e mira emendas de Mário Frias ligadas ao filme sobre Bolsonaro
Autorizada pelo ministro Flávio Dino, a ação da Polícia Federal com apoio da CGU alcançou endereços em São Paulo, Rio, Ceará e Distrito Federal; investigação aponta repasse de emendas a entidades e desvio para empresa responsável pelo longa Dark Horse
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 10 de setembro, a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Ceará e no Distrito Federal. A apuração trata de suposto desvio de recursos públicos de emendas parlamentares repassados por termo de fomento a organização da sociedade civil.
Segundo o STF, as medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino na Petição 16.669 e alcançam o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que tem prerrogativa de foro na Corte. O relator também retirou o sigilo dos autos e impôs medidas cautelares contra pessoas físicas e jurídicas.
De acordo com a investigação, os valores teriam sido destinados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, presididos pela empresária Karina Ferreira da Gama, por meio de emendas propostas pelo deputado, e depois desviados para outras finalidades, entre elas a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Controladoria-Geral da União registrou que o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 2 milhões em recursos federais por meio de duas emendas, usados em contratos que, segundo a apuração, não cumpriram as finalidades previstas. A empresária é apontada como sócia da Go Up Entertainment, produtora do longa, identificada como destinatária de valores usados para pagar hotéis e restaurantes em São Paulo no mesmo período das gravações, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
A PF afirma que o próprio deputado encaminhou R$ 645 mil à produtora em 60 dias, quantia que considera incompatível com seus rendimentos mensais. A nota oficial da corporação informa que são investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios, e que as tentativas de dissimular os desvios teriam se estendido até julho de 2026.
Fonte: Polícia Federal.