Mendonça afasta o diretor-geral da PF e o chefe da inteligência e proíbe relatórios sobre atuação de juízes
Em decisão desta terça (8), ministro cita monitoramento "sistemático e ilegal" contra ele e Jorge Messias e manda a Corregedoria da PF abrir procedimentos; Fux cancelou a sessão presencial da Segunda Turma
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (8) o afastamento imediato do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Na decisão, Mendonça aponta a "gravidade e ilicitude" de relatórios de inteligência usados contra ele e classifica os documentos como "apócrifos, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe empregar o mínimo grau de legitimidade".
Mendonça afirma ter sido alvo, ao lado do advogado-geral da União, Jorge Messias, de monitoramento “sistemático e ilegal” e proibiu a produção de relatórios de inteligência sobre atos praticados por magistrados no exercício de suas funções constitucionais. A decisão manda a Corregedoria da PF instaurar procedimentos administrativo-disciplinares e intima o Ministério da Justiça a cumprir a ordem. Segundo a Gazeta do Povo, a liminar foi submetida a referendo da Segunda Turma e alcançou maioria com os votos de Luiz Fux e Nunes Marques.
A crise entre os ministros, aberta em 1º de setembro com a divulgação do relatório da PF sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, chegou ao rito da Corte: o presidente da Segunda Turma, Luiz Fux, cancelou a sessão presencial marcada para as 15h desta terça — seria a primeira desde o início público do embate. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre reconheceu publicamente que 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF estão em tramitação, boa parte contra Moraes. A imprensa internacional repercutiu o afastamento do comando da PF.
Andrei Rodrigues não se manifestou até a publicação desta matéria.
Fonte: Gazeta do Povo.