Dino manda apurar contratos públicos do instituto ligado a André Mendonça e cita encontro do ministro com Vorcaro
Decisão enviada a Fachin aponta reunião de 14 de março de 2025, na véspera de um pedido de vista de Mendonça em ação sobre cemitérios de São Paulo, e contratos de R$ 1,63 milhão e R$ 380 mil sem licitação
Horas antes da sessão que discutiria a investigação contra Alexandre de Moraes, o ministro Flávio Dino determinou que sejam apuradas possíveis conexões entre o Instituto Iter, ligado ao ministro André Mendonça, o Banco Master e contratos com o poder público de São Paulo — e mandou cópia da decisão ao presidente do Supremo, Edson Fachin, para juntada aos autos que apuram a conduta de Mendonça.
Os elementos apareceram em uma ação que discute a concessão de serviços funerários e de cemitérios na capital paulista. Segundo a decisão, Mendonça recebeu o então banqueiro Daniel Vorcaro em 14 de março de 2025, em São Paulo, a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha e com intermediação do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), depois alvo da Polícia Federal. O encontro teria ocorrido na véspera de um pedido de vista do próprio Mendonça na ação dos cemitérios.
Dino registra ainda que o Banco Master aparece ligado financeiramente ao setor funerário, com um fundo detendo 20% das ações da Cortel, concessionária afetada pelo processo, e cita contratos do Instituto Iter de R$ 1,63 milhão com a FDE, sem licitação, e de R$ 380 mil com a Secretaria Municipal de Gestão, firmado em 24 de setembro de 2025.
Na decisão, Dino escreve que “a natureza e a convergência temporal desses pontos de contato constituem, em tese, quadro indiciário suficientemente relevante para que a existência — ou inexistência — dessas conexões seja esclarecida mediante apuração pelas autoridades competentes”, com garantia de contraditório e ampla defesa. O movimento inverte a direção da crise: foi Mendonça quem levou a Fachin o relatório da PF com os supostos diálogos de Moraes, e agora é a conduta do relator do caso Master que passa a ser examinada pelo Plenário.
O julgamento sobre Mendonça estava marcado para 23 de setembro. Ressalva: trata-se de pedido de apuração; não há acusação formal contra o ministro, que não havia se manifestado sobre os contratos do instituto até a publicação.
Fonte: Gazeta do Povo.