EUA confirmam tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros; Fiep estima que 80% da exportação industrial do Paraná será atingida
Medida foi anunciada na noite de quarta com base na Seção 301, mas o ato não havia sido publicado no Diário Oficial americano até esta quinta, apesar de o representante de Comércio ter dito que sairia no dia 15.
O governo de Donald Trump confirmou na noite de quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, acatando recomendação do representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. A medida encerra investigação aberta em 15 de julho de 2025. Até a manhã desta quinta-feira (16), porém, nem o USTR havia divulgado o ato, nem o Federal Register — o diário oficial americano — registrava qualquer documento do órgão desde 1º de julho, embora Greer tenha afirmado que a lista de produtos sairia no dia 15.
"O presidente tomou a decisão de tomar uma ação responsiva", afirmou Greer. Os motivos alegados pelo USTR na determinação de 1º de junho, que propôs a medida, são o comércio digital e os meios de pagamento eletrônico — com menção ao Pix —, tarifas preferenciais concedidas a terceiros, o combate à corrupção, a propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal. Como o anexo com a lista de produtos não foi publicado, não há confirmação oficial de quais mercadorias entram, de eventuais isenções nem da data de vigência. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a sobretaxa alcance cerca de 4,1 mil produtos e US$ 14,9 bilhões em exportações. "O aumento compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e prejudica empresas dos dois países", disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Em nota à imprensa de 14 de julho, após a quinta reunião com o USTR desde maio, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços registrou que "o governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado" e que "nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justifica a aplicação das tarifas recomendadas". Após a confirmação, o chanceler Mauro Vieira afirmou: "Temos que esperar o que vai acontecer para examinar e divulgar as medidas que teremos que tomar para equilibrar as tarifas tomadas eventualmente". O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que "a gente precisa proteger as nossas empresas e os nossos empresários, mas isso vai ser feito com muita cautela" e que, "uma vez consultado o presidente Lula, é provável que a gente retome o processo de reciprocidade". Estão em estudo o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica, ajuda aos setores afetados e a negociação da lista de exceções. No Paraná, a Federação das Indústrias (Fiep), que protocolou defesa no USTR em 1º de julho, estima que cerca de 80% das exportações industriais do estado aos Estados Unidos seriam atingidas — cerca de US$ 1 bilhão dos US$ 1,3 bilhão exportados em 2025, com madeira e derivados respondendo por 38,71% da pauta. "O Paraná é muito sensível a essa questão da taxação porque 80% da nossa exportação aos EUA será impactada", afirmou o superintendente da Fiep, João Arthur Mohr. O Sistema Faep avalia que o impacto sobre o agronegócio paranaense "tende a ser limitado", segundo o presidente Ágide Eduardo Meneguette, porque parte relevante dos produtos segue isenta.
Fonte: Gazeta do Povo.