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PGR pede nulidade de decisão de Mendonça em investigação sobre Moraes

Em manifestação assinada na noite de terça-feira, o procurador-geral sustenta dupla nulidade: juiz não pode determinar investigação pré-processual e só o Plenário do STF pode apurar conduta de ministro, pela LOMAN

Redação Voz Conectada ·4 min
PGR pede nulidade de decisão de Mendonça em investigação sobre Moraes
Foto: TSE/Wikimedia Commons (domínio público)

O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, pediu nesta terça-feira (1º de setembro de 2026) a nulidade do relatório da Polícia Federal que cita relações dele com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmando que houve abuso de poder pelo relator do caso, ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Gonet afirmou que não cabe ao juiz realizar investigações pré-processuais nem valer-se da polícia judiciária para atividades que não lhe foram atribuídas. Segundo o procurador-geral, o relator não pode autorizar uma investigação contra um ministro da Corte e deveria ter encaminhado o pedido para o plenário do STF.

O ministro André Mendonça levantou o sigilo das investigações sobre relação de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, com Paulo Gonet e com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal. Mendonça encaminhou o caso para que seja discutido em plenário. Cabe ao presidente do tribunal, Luiz Edson Fachin, pautar a questão.

Em 8 páginas, Gonet ressaltou que o relatório da PF dedicou 188 das mais de 200 páginas para falar sobre o ministro Alexandre de Moraes. A tese central é que Mendonça quis que fosse iniciada uma investigação sobre um colega, integrante da Corte, mesmo não tendo uma decisão do plenário.

Gonet destacou que a ordem dada à PF para investigação de autoridades com foro, sem o pedido do Ministério Público ou sem indicação da PF, é nula e excede os limites de competência do relator. O procurador-geral ressaltou que a investigação sobre Moraes deve ser anulada e a menção a ele deveria ter sido levada ao presidente do tribunal.

Segundo as investigações, Vorcaro e Moraes mantiveram uma série de encontros e conversas. O relatório da PF indica que Vorcaro e Moraes enviavam mensagens com imagem de visualização única. As mensagens indicam que Vorcaro compartilhou com o ministro do STF sobre sua estratégia para venda do Master, depois de fracassada a aquisição pelo Banco de Brasília. Além disso, Vorcaro também teria informado o nome de investigadores e integrantes do Ministério Público Federal que estavam à frente das apurações.

O relatório da PF também menciona um possível relacionamento entre Paulo Gonet com Daniel Vorcaro. Segundo as mensagens colhidas, o advogado Ciro Soares indicava ser um interlocutor do procurador-geral da República com Vorcaro. Os investigadores avaliam que há indícios de que Gonet tenha pedido que o empresário bancasse a viagem de um dos seus filhos para Londres, acompanhando-o em evento patrocinado pelo Master. Gonet participou do 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias que aconteceu no hotel 5 estrelas The Peninsula, sob o financiamento do Master.

O Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master. A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.

O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.

Fonte: poder360.com.br.

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