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Governo estuda usar o Tesouro para comprar dívidas antigas de famílias em leilão com desconto

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, diz que o programa mira débitos com mais de cinco anos de atraso e só deve sair no início de 2027 — depois da eleição; desenho, custo e critérios seguem indefinidos

Redação Voz Conectada ·2 min
Governo estuda usar o Tesouro para comprar dívidas antigas de famílias em leilão com desconto
Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (18) que o governo estuda um programa para comprar dívidas antigas de famílias diretamente das instituições financeiras, por meio de leilões com desconto e com recursos públicos, com o objetivo declarado de "limpar o nome das pessoas". Segundo o ministro, a medida só deve começar no início de 2027.

Pelo desenho preliminar descrito por Durigan, o Tesouro Nacional conduziria leilões para adquirir créditos vencidos há mais de cinco anos, possivelmente com uso da Emgea, empresa pública que já administra carteiras de crédito problemáticas. O ministro apresentou a ideia como continuidade do Desenrola, afirmou que os descontos poderiam superar 95% em alguns casos e sustentou que o programa não comprometeria a meta fiscal nem o Orçamento, “desde que faça um leilão e obtenha o melhor benefício”.

Ainda não estão definidos o custo fiscal, os critérios de participação, quais créditos poderão ser comprados e se — e como — o consumidor teria de pagar algo ao governo depois.

O anúncio ocorre em plena campanha eleitoral e sem ato normativo publicado: não há medida provisória, projeto de lei ou nota técnica que detalhe o programa, apenas a manifestação do ministro em entrevista. O pano de fundo é o recorde de inadimplência das famílias, com a taxa do crédito livre para pessoa física no maior nível da série histórica do Banco Central, e a queda na oferta de crédito pelos bancos.

Críticos apontam que transferir ao contribuinte o prejuízo de operações mal concedidas pelo sistema financeiro cria risco moral e uma despesa nova num Orçamento que a Instituição Fiscal Independente já projeta com déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027. A reportagem não localizou, até a publicação, comunicado oficial do Ministério da Fazenda sobre o programa — o que recomenda cautela com números e prazos.

Fontes: Seu Dinheiro · Economic News Brasil · Gazeta Mercantil · BRA1

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