IFI projeta déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027 e diz que o Orçamento de Lula superestima crescimento e receitas
Órgão do Senado vê diferença de R$ 104,8 bilhões em relação ao superávit prometido no projeto de lei orçamentária e estima necessidade de contingenciar R$ 35,7 bilhões
A Instituição Fiscal Independente do Senado divulgou nesta quinta-feira (17) o Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 116, no qual projeta déficit primário de R$ 86,1 bilhões para o governo central em 2027, enquanto a proposta de Orçamento enviada pelo governo ao Congresso promete superávit de R$ 18,6 bilhões — uma diferença de R$ 104,8 bilhões.
A divergência começa nas premissas. O projeto de lei orçamentária supõe crescimento de 2,5% do PIB no ano que vem; a IFI projeta 1,8%, e o Boletim Focus, 1,5%. O governo estima inflação de 3,6%, ante 4% da IFI e 4,3% do mercado, e crescimento de 10,1% da massa salarial, contra 7,3% calculados pela instituição — números que inflam a arrecadação prevista. Do lado dos gastos, a IFI vê subestimação em Previdência, BPC, abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais, e classifica as contas do Executivo como “relativamente otimistas”.
Mesmo descontadas as exclusões legais, o superávit para efeito de meta ficaria abaixo de R$ 1 bilhão, insuficiente até para o piso do intervalo de tolerância, o que exigiria contingenciar R$ 35,7 bilhões.
O relatório aponta ainda riscos fora dessa conta: um aporte de R$ 33,8 bilhões ao fundo que compensa os estados pela troca do IPI pelo Imposto Seletivo e uma receita de R$ 42 bilhões lançada no Orçamento como condicionada à criação desse imposto por uma lei cujo projeto sequer foi enviado ao Congresso. A projeção não inclui o reajuste do Bolsa Família anunciado no mesmo dia, que o próprio governo estima em cerca de R$ 22 bilhões no ano que vem. É o retrato de um Orçamento que fecha no papel à custa de crescimento e arrecadação que o mercado e o órgão técnico do Senado não enxergam.
Fontes: TV Senado · O Povo · Jornal do Comércio · ADVFN