Justiça de São Paulo homologa a recuperação extrajudicial da Raízen e destrava reestruturação de R$ 61,4 bilhões
Decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista estende o plano a todos os credores sujeitos a ele; proposta teve adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários
A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial apresentado pela Raízen e por empresas controladas, tornando o acordo obrigatório para todos os credores sujeitos a ele. A decisão, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, viabiliza a reestruturação de cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras.
Segundo a companhia, o plano teve adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários — acima do mínimo exigido em lei para a homologação — e não recebeu objeções. Com a decisão, passa a valer o reperfilamento das dívidas contraídas junto a instituições financeiras e dos títulos emitidos nos mercados de capitais brasileiro e internacional, inclusive para os credores que não aderiram expressamente ao acordo. Além dos créditos sujeitos ao plano, o grupo declarou R$ 33,49 bilhões em obrigações entre empresas do próprio conglomerado.
A reestruturação prevê conversão de dívidas em participação acionária, emissão de novos títulos e aumento de capital de até R$ 4 bilhões. A empresa também planeja separar, até o fim de 2027, a distribuição de combustíveis do negócio que reúne as usinas de cana-de-açúcar, em duas companhias: Raízen Energia, com etanol, açúcar e bioenergia, e Raízen Combustíveis.
É a maior recuperação extrajudicial já processada no país: o pedido, protocolado em 11 de março de 2026, supera os 287 casos acompanhados pelo Observatório de Recuperação Judicial nos últimos 20 anos. A Raízen é controlada pela Cosan e pela Shell.
Fontes: Migalhas, CNN Brasil, Times Brasil e Exame.