Moraes arquiva inquérito da Abin paralela contra Bolsonaro
Decisão atendeu integralmente à PGR, para quem os fatos já foram julgados na ação penal da trama golpista; apuração sobre outros 28 investigados segue na primeira instância
O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta segunda-feira (20 de julho de 2026) o arquivamento das investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o esquema da Abin paralela.
Moraes entendeu que os fatos analisados no inquérito já foram tratados na ação que condenou o ex-presidente e o ex-chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem, por golpe de Estado.
O caso está relacionado a um inquérito policial sobre o uso de programa de espionagem contra adversários do então governo Bolsonaro por agentes da Abin. O inquérito citava outras pessoas que foram condenadas por golpe de Estado, como Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin e ex-deputado federal), Giancarlo Gomes Rodrigues (subtenente do Exército) e Marcelo Araújo Bormevet (agente da Polícia Federal). Em relação aos investigados já condenados, Moraes determinou o arquivamento.
Moraes encaminhou o inquérito para a Justiça Federal para apurar possíveis envolvimentos no esquema de outras 28 pessoas, inclusive o filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo as investigações, assessores e agentes que tinham acesso ao programa First Mile realizavam o monitoramento dos celulares de adversários dos Bolsonaros sem qualquer 'resquício de indicação institucional'. Para Moraes, os indícios demonstraram uma apropriação indevida da Abin, em sua maioria por policiais federais.
O sistema First Mile foi exclusivamente utilizado pelos servidores da Agência Brasileira de Inteligência no governo de Jair Messias Bolsonaro, nos anos de 2019 a 2022, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal.
Moraes concluiu que o relatório da PF não apresentou indícios suficientes contra o corregedor da Abin, José Fernando Moraes Chuy; o diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti; o chefe de gabinete da Abin, Luiz Carlos Nóbrega Nelson; o coordenador de Operações de Busca, Lucio de Andrade Vaz Parente; e o diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa. O ministro considerou que há ausência de indícios, o que afasta a justa causa para continuar as investigações.
Fonte: poder360.com.br.