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Coluna de Opinião

Paz no Oriente Médio pode aliviar inflação e juros no Brasil

Governo Lula aposta em queda do petróleo para conter alta de preços e expectativas inflacionárias

Rafael Antunes ·2 min
Paz no Oriente Médio pode aliviar inflação e juros no Brasil
Foto: oglobo.globo.com

Um possível acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio acende esperança no Palácio do Planalto. A equipe econômica avalia que a normalização do conflito poderia desafogar os preços do petróleo, contendo assim a escalada inflacionária que vem atormentando a economia brasileira.

A guerra no Oriente Médio tem afetado diretamente os bolsos dos brasileiros. Antes do conflito, o Boletim Focus projetava inflação abaixo de 4% para 2026 e 2027. Agora, a expectativa para este ano subiu para 5,30%, e para 2027 está em 4,10%. O culpado? O impacto da instabilidade regional nos preços do petróleo. Quando a geopolítica dispara, os combustíveis vão junto — e isso reverbera em toda a cadeia de preços, do transporte até a cesta de alimentos.

Na avaliação do Ministério da Fazenda, um acordo bem-sucedido entre americanos e iranianos teria o potencial de conter essa escalada de expectativas. Traduzindo: se a tensão diminuir, o barril fica mais barato, a inflação pressiona menos, e o Banco Central tem mais espaço para não apertar tanto os juros. Tudo conectado. A projeção do governo para inflação ainda está no limite da meta de tolerância (4,50%), mas a margem é apertada.

Para o Paraná, a notícia tem relevância direta. O estado é grande exportador de grãos e produtos agrícolas — soja, milho, trigo — que dependem do frete rodoviário para chegar aos portos. Petróleo mais barato significa combustível mais acessível, o que reduz custos logísticos e melhora a competitividade das commodities paranaenses no mercado internacional. Além disso, inflação controlada facilita o planejamento das safras futuras.

Claro, há caveats. Um acordo de paz no Oriente Médio não é trivial — depende de negociações complexas e vontade política de ambos os lados. Enquanto isso não acontece, a incerteza persiste e os preços do petróleo continuam sensíveis a qualquer notícia da região. O governo brasileiro torce para que as conversas avancem, mas sabe que controlar inflação importada é como tentar segurar água com a mão aberta.

Com informações de oglobo.globo.com.

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