Rejeição de Messias expõe fragilidade do governo no Senado
Derrota histórica marca terceiro mandato de Lula e amplia distância com Legislativo
O governo Lula sofreu uma de suas piores derrotas nesta quarta-feira (29 de abril de 2026) com a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. A aprovação era incerta diante da falta de apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O veto ao nome de Messias não é um episódio isolado. No terceiro mandato, Lula já havia enfrentado derrotas significativas no Legislativo: flexibilização das chamadas saidinhas de presidiários, abertura de comissão parlamentar para investigar o INSS e a derrubada de decretos sobre IOF. Este último movimento marcou a primeira vez desde 1992 (governo Collor) que o Congresso derrubava um decreto presidencial. O padrão revela uma erosão do poder de agenda do Executivo.
O que a sabatina de Messias significava para além da indicação ao STF? Era um teste de força real. A aprovação de um ministro indicado pelo presidente deveria ser uma vitória natural — é um poder que governa costumam exercer sem grandes embates. A rejeição, portanto, sinaliza que o governo não conseguiu tecer as alianças necessárias nem mesmo em uma matéria que deveria ser de sua governança interna.
Em março, lideranças do PT e a cúpula do Congresso já haviam pressionado o STF para derrubar a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar a CPMI do INSS. A pressão funcionou, mas evidencia que o governo precisa buscar apoio externo até para vencer batalhas internas. Essa dinâmica indica dependência, não força.
A falta de apoio explícito de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, foi decisiva. Senadores relaram ter recebido pedidos diretos do presidente da Casa para votar contra Messias. Quando o comando do Legislativo se afasta do Executivo nessa medida, as margens de negociação desaparecem rapidamente. O governo considerou a relação com Alcolumbre rompida de forma definitiva — um rompimento que não favorece ninguém com eleições à vista.
O impacto imediato é político. Uma rejeição assim respinga nas eleições deste ano, sinalizando a eleitores que o presidente está isolado no Congresso. Para os próximos dois anos de mandato, significa que pautas controversas ficarão mais difíceis de aprovar. O governo terá de negociar mais, ceder mais, ou aceitar derrotas maiores.
Com informações de www1.folha.uol.com.br (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/04/sabatina-de-messias-e-teste-para-governo-no-senado-relembre-derrotas-de-lula-3-no-congresso.shtml).