Senadores levam à Mesa do Senado representação por crime de responsabilidade contra Alexandre de Moraes
Pedido tem como base os contratos entre o escritório da mulher do ministro e o ex-controlador do Banco Master; abertura do processo depende de decisão de Davi Alcolumbre
A relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes dominou os discursos no Plenário do Senado depois da divulgação do relatório enviado pela Polícia Federal ao Supremo, e resultou em representação por crime de responsabilidade contra o magistrado. A abertura do processo depende de decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Magno Malta (PL-ES) defenderam da tribuna o afastamento de Moraes, por impeachment ou por renúncia.
O núcleo das acusações são os contratos firmados entre o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e Vorcaro: o primeiro, de janeiro de 2024, previa R$ 3 milhões líquidos mensais por 36 meses — mais de R$ 131 milhões brutos —, e o segundo, de maio de 2025, estabelecia teto de R$ 50 milhões.
Alcolumbre, que tem a prerrogativa de dar ou não andamento aos pedidos, respondeu a jornalistas que a Casa acumula 109 solicitações de impeachment contra os dez ministros do Supremo e classificou o quadro como anormal. Nenhum pedido contra ministro do STF jamais foi levado adiante pelo Senado desde a redemocratização, e a decisão continua sendo estritamente política — o que transfere para o presidente da Casa, a menos de um mês da eleição, o custo de arquivar ou de instalar o processo.
Fonte: Agência Senado.