STF media disputa por 22 mil km² entre Pará e Mato Grosso e mobiliza o Norte
O Supremo Tribunal Federal realiza audiência de conciliação sobre uma área de cerca de 22 mil km² na região do Salto das Sete Quedas, no sul do Pará, reivindicada por Mato Grosso. Lideranças paraenses reagiram à reabertura do caso e prometem mobilização conjunta.
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza audiência de conciliação para discutir a disputa territorial de cerca de 22 mil quilômetros quadrados entre Pará e Mato Grosso, na região do Salto das Sete Quedas. A área afeta seis municípios do sul do Pará e envolve arrecadação de tributos, gestão ambiental, exploração de recursos, regularização fundiária e serviços públicos.

A reabertura provocou reação imediata entre parlamentares paraenses. O senador Zequinha Marinho criticou a decisão, afirmando que “não há motivo para reabrir um processo já decidido, por três vezes, em favor do Pará”. Em 2020, o plenário do STF já havia decidido, por unanimidade, pela jurisdição paraense, com base em perícia do Exército que validou demarcações de 1922.
Agora, Mato Grosso apresentou nova ação questionando os limites, levando à audiência mediada pelo ministro Flávio Dino. Na Assembleia Legislativa do Pará, parlamentares de diferentes espectros defendem mobilização conjunta. O presidente da Casa, deputado Chicão, resumiu: “Pertencer a um lugar vai muito além de uma linha traçada no mapa.”
O deputado Carlos Bordalo vinculou a disputa à expansão do agronegócio e ao interesse nos corredores logísticos — com destaque para a BR-163 e os portos paraenses no rio Tapajós, estratégicos para o escoamento da produção. A governadora Hana Ghassan afirmou que “o Pará não se divide”.
Disputas de divisa não são exclusividade do Norte: o Paraná também já enfrentou contendas territoriais históricas, como a Questão do Contestado com Santa Catarina. O caso paraense-matogrossense reacende o debate federativo sobre como o país define — e redefine — as fronteiras entre seus estados.
Com informações de O Liberal (PA) — 9 de junho de 2026.