STF torna réus Rodrigo Bacellar, TH Joias e desembargador do TRF-2 por obstrução em favor do Comando Vermelho
Primeira Turma acolheu por unanimidade a denúncia da PGR sobre o vazamento da Operação Zargun; cinco pessoas viraram rés, entre elas o desembargador Macário Júdice Neto
Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal recebeu a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, e o desembargador Macário Júdice Neto, do TRF-2. Os cinco denunciados tornaram-se réus por obstrução de investigação contra organização criminosa armada.
Segundo a denúncia, os acusados agiram de forma coordenada para impedir o cumprimento de ordens judiciais da Operação Zargun, deflagrada em 3 de setembro de 2025 pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Rio de Janeiro contra tráfico internacional de armas e drogas e lavagem de dinheiro ligados ao Comando Vermelho. O desembargador Macário Júdice Neto, então relator do procedimento no TRF-2, teria violado o sigilo funcional ao repassar informações sobre medidas cautelares sigilosas a Bacellar, seu amigo, num jantar na véspera da operação.
Bacellar, por sua vez, alertou TH Joias, apontado como operador de lavagem de dinheiro e braço político da facção.
Câmeras do condomínio de TH Joias registraram o esvaziamento de sua residência na noite de 2 de setembro de 2025, com auxílio da esposa, Jéssica de Oliveira, também ré; ao mesmo tempo, computadores e mídias eletrônicas foram retirados de seu gabinete na Alerj. O ex-assessor Thárcio Nascimento escondeu o então deputado em seu apartamento e, depois de ter o celular apreendido, usou as senhas do iCloud em outro aparelho para acionar o “modo perdido” e bloquear os dados à perícia. Além da obstrução, Macário Júdice responde por violação de sigilo funcional e Thárcio, por favorecimento pessoal.
Relator, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou as alegações de inépcia da denúncia e de cerceamento de defesa. O julgamento corre em sessão virtual da Primeira Turma que termina às 23h59 desta sexta-feira (21), mas todos os votos já foram proferidos, na Petição 14959.
Fonte: Supremo Tribunal Federal.